O ERP sempre foi tratado como o coração transacional da empresa. Agora, ele precisa se tornar também uma plataforma de inteligência autônoma, e é justamente nessa transição que nasce o fantasma do shelfware.
Até 2030, estima-se que mais de 70% das capacidades de IA adquiridas dentro de sistemas ERP se tornarão softwares pagos que nunca serão efetivamente utilizados. Ou seja: a empresa compra o pacote “premium de IA”, mas segue operando como se estivesse em 2015.
Fonte: Gartner, relatório ‘Gartner Top Strategic Technology Trends for 2025’.
Por que a IA do ERP vira shelfware?
Três forças explicam esse abismo entre promessa e execução:
- Estabilidade acima de tudo
Após projetos exaustivos de migração de ERP, as equipes entram em modo de preservação de estabilidade. Funcionalidades avançadas de IA são adiadas indefinidamente para “um segundo momento” que nunca chega. - A armadilha do FOMO
O medo de ficar para trás leva empresas a adquirirem módulos de IA sem caso de negócio claro. O resultado é a “dívida de valor”: tecnologias sofisticadas contratadas sem uso consistente, sem owner e sem métrica de sucesso definida. - Incerteza de custos de consumo
A dúvida sobre como os custos de consumo de IA vão escalar faz com que times interrompam o uso para evitar estouros orçamentários. O ERP passa a ser uma vitrine de recursos não ligados a processos reais.
Da transação à autonomia: o verdadeiro salto
O ponto central não é adicionar IA ao ERP, mas redefinir o papel do sistema: ele precisa deixar de perguntar “o que aconteceu?” para dizer “isto é o que eu já resolvi”.
Não por coincidência a previsão é de que, até 2030, mais de 50% das tarefas rotineiras em Finanças, Supply Chain e RH devem ser executadas de forma autônoma pela IA de infraestrutura.
Fonte: Gartner, relatório ‘Gartner Top Strategic Technology Trends for 2025’
Exemplos práticos:
- Fechamento contábil com reconciliações automáticas.
- Otimização contínua de estoque, baseada em MAS conectados à cadeia de suprimentos.
- Abertura e encaminhamento automático de tickets de exceção realmente relevantes.
Gartner projeta que ferramentas de IA podem reduzir os custos de modernização de ERP em até 40% até 2030, automatizando a conversão de código customizado e a limpeza de bases históricas
Fonte: Gartner, relatório ‘Gartner Market Guide for ERP Solutions’, 2025.
Nuvens soberanas e geopolítica
O ERP do futuro não é só uma decisão tecnológica, é questão de soberania geopolítica.
Fatores internacionais levarão 75% das novas implantações de ERP para nuvens soberanas até 2030, em busca de controle sobre residência de dados e proteção contra interferências externas.
Fonte: Gartner, relatório ‘Gartner Hype Cycle for Cloud Computing, 2025’.
O CFO e o CIO precisarão equilibrar três tensões:
- Conformidade regulatória e soberania.
- Velocidade de inovação da nuvem escolhida.
- Capacidade de extrair valor real das capacidades de IA contratadas.
Como exorcizar o fantasma do shelfware
Para evitar que a IA do ERP vire enfeite caro, algumas decisões são essenciais:
- Definir casos de uso prioritários, com dono, KPI e prazo de adoção.
- Vincular as capacidades de IA do ERP diretamente a ganhos de eficiência mensuráveis.
- Revisitar contratos e módulos sob a ótica de “o que já está sendo usado hoje?”.
- Limpar a base de dados que alimenta o ERP, garantindo que o coração bata com “sangue” saudável.
O e-book “Anatomia da Autonomia: O manual do C-Level para 2030”, desenvolvido aqui na Framework Digital, aprofunda as estratégias para transformar o ERP em motor da autonomia corporativa, conectando soberania de nuvem, MAS e eficiência operacional.
Antes de comprar mais IA no seu ERP, garanta que o que você já tem está gerando valor.
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